“Não precisamos estar em evidência”, disse desembargador que ganha R$ 384 mil, oito vezes mais que ministros do STF

Ibanez Monteiro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, assumiu o cargo em janeiro de 2025. Um ano depois, o desembargador teve a maior remuneração do Brasil entre os membros dos judiciários estaduais.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que o magistrado recebeu R$ 384.954,59 em valores brutos, de acordo com reportagem do g1. Após descontos de cerca de R$ 30 mil, o rendimento líquido ficou em R$ 354.558,65 no primeiro mês do ano. O total equivale a cerca de oito vezes o teto constitucional do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46,3 mil — valor pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O TJRN informou, em nota, que o salário do presidente está dentro do teto constitucional e que os valores pagos se referem a verbas eventuais, “portanto, não são fixas, e correspondem aos sessenta dias férias não gozadas relativos ao ano de 2025, além de férias atrasadas e plantões cumpridos durante o período do recesso judicial”.
São os chamados penduricalhos, que foram alvo de suspensão por decisão do ministro Flávio Dino, do STF. O plenário da corte definirá nesta quarta-feira (25) se a determinação será mantida.
Ao assumir o cargo de presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, em janeiro do ano passado, Ibanez Monteiro destacou o papel do Judiciário e afirmou que magistrados não precisam ser figuras conhecidas na mídia.
“São os julgamentos rápidos e justos que nos darão credibilidade, não são as redes sociais. Não precisamos estar em evidência, como pessoa ou como autoridade, nas mídias nem nas redes sociais. Nosso cargo é o importante e não nós. Basta o exercermos como deve ser, que seremos reconhecidos”, disse durante a cerimônia de posse para o biênio 2025-2026.
Ibanez Monteiro é natural de Santana do Matos, no Rio Grande do Norte, e é juiz de Direito desde 1985. Atuou como juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) entre 2002 e 2004. Foi desembargador corregedor regional eleitoral nos anos de 2016 a 2018 e vice-diretor da Escola de Magistratura (ESMARN).
O desembargador é graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – (1978-1982), com Especialização em Direito e Cidadania pela mesma instituição (1997-1998).Lei
Fonte: *Correio

