16 cidades ficam sem agência bancária após onda de fechamentos na Bahia em 2025

A população fez protestos e decisões judiciais descentralizadas até tentaram evitar, mas o encerramento de agências bancárias na Bahia segue a todo vapor no interior do estado e na capital. Sob o pretexto de que os serviços presenciais são cada vez menos procurados, as portas são fechadas e os moradores, em alguns casos, precisam viajar para ter acesso a serviços simples, como saques. Os fechamentos em massa ao longo de 2025 fizeram com que 16 cidades ficassem sem sequer uma agência.
Os dados integram o Relatório de Agências Bancárias 2025, feito pelo Sindicato dos Bancários da Bahia. O CORREIO teve acesso ao documento, que mostra com números o que muitos baianos já sabem: conseguir atendimento bancário presencial está cada vez mais difícil. Foram 48 agências fechadas e duas abertas ao longo do ano passado na Bahia. O estado possui 756 agências em atividade.
O Sindicato dos Bancários da Bahia, no entanto, defende que o formato não substitui as agências tradicionais. “Os fechamentos de agências tem causado vários prejuízos para a população do interior e, principalmente, para a população de baixa renda que não tem acesso aos serviços bancários”, afirma Ronaldo Ornelas, diretor da entidade.
Quais cidades ficaram sem agências?
Todas as agências que eram as únicas de suas cidades ao serem fechadas pertenciam ao Bradesco, segundo o relatório. O banco fechou 20 unidades na Bahia em 2025, sendo que em apenas quatro delas a agência não era a única da cidade.
As cidades que ficaram sem bancos após a saída da empresa da cidade, segundo o relatório, são: Bonito, Buritirama, Itagimirim, Itatim, Maiquinique, Mairi, Malhada das Pedras, Olindina, Palmeiras, Pedro Alexandre, Potiraguá, Presidente Tancredo Neves, Rio do Pires, Santa Brígida, Uruçuca e Wagner.
Quando o único banco existe fecha as portas, os clientes são transferidos para agências de cidades próximas. O problema é que, em muitos casos, os municípios não são tão perto assim. Os correntistas do Bradesco em Olindina, por exemplo, foram transferidos para Rio Real, cidade localizada a cerca de 50 quilômetros.
Moradores como Renivalda de Oliveira sequer conhecem a cidade onde precisam buscar serviços presenciais. “Eu nem sei onde fica essa cidade. Imagina ter que ir para lá só para ir ao banco”, reclamou a comerciante. A agência de Olindina foi fechada em junho, conforme noticiado pelo CORREIO.
O tema é tão polêmico que prefeituras do interior processaram o Bradesco para tentar reverter os fechamentos de agências. Uma dessas cidades foi Pedro Alexandre, onde o município conseguiu uma decisão judicial favorável para que o banco continuasse aberto, o que não foi cumprido pela empresa. Chorrochó, Palmeiras e Ubatã também ingressaram na Justiça contra o Bradesco.
Fonte/trechos: *Correio

