Homem mais sujo do mundo viveu 70 anos sem tomar banho e morreu após tomar sua primeira ducha em décadas
HISTÓRIAS CURIOSAS

Talvez você já tenha ficado sem tomar banho por um dia ou dois, mas já pensou em ficar sujo durante 70 anos? Esse é o caso de Amou Haji, um eremita indiano que surpreendeu o mundo com mais de 90 anos de idade, sem um único banho desde os vinte anos.
Sua história repercutiu ainda mais após o relato de sua morte em 2022, alguns meses depois de tomar o primeiro banho em décadas. Porém, até aquele momento, o ermitão viveu por décadas em condições precárias. A internet então começou a especular: teria sido o banho o culpado pela morte repentina de Haji?
Vivendo no limite
Haji vivia na província de Fars, no sul do Irã, e passou boa parte da vida em um buraco no chão, em uma região seca e montanhosa. Porém, não apenas a moradia era insalubre. Todo o resto do seu estilo de vida era extremo: relatos falam em alimentação precária, água não potável e consumo constante de cigarros.
Obviamente, o que mais chamava atenção era a falta de banho, que lhe conferia uma aparência única. Segundo relatos colhidos pela BBC, a pele de Haji era coberta por uma crosta de sujeira, poeira e pus.
Um dos fatores que pode ter auxiliado na sobrevivência do idoso foi a ajuda humanitária da comunidade local. Seus vizinhos chegaram a construir uma pequena barraca próxima do buraco em que ele vivia, bem como entregavam alimentos e água ocasionalmente.
Último banho
Depois de décadas evitando água e sabão, Amou Haji acabou tomando banho alguns meses antes de morrer. A decisão teria ocorrido após pressão de moradores da região, que tentavam convencê-lo a aceitar cuidados básicos.
A causa da morte apontada pela imprensa iraniana foram causas naturais associadas ao envelhecimento, mas sem um laudo que discriminasse especificamente o motivo do óbito. Por essa razão, é perigoso apontar uma correlação entre o banho e a sua morte, mas não impossível.
Apesar de a maioria dos casos em que pessoas são expostas a condições extremas resultar em morte, existem exceções, como Haji. Em algumas circunstâncias, o corpo começa a se adaptar a esses extremos, alcançando uma forma de homeostase.
Tomando o caso iraniano como exemplo, existe uma revisão publicada na Nature Reviews Microbiology que pode ajudar a iluminar essa discussão. O estudo teve como objetivo analisar o que se sabia sobre os microbiomas da pele e identificou relações complexas entre microrganismos, formando novos ecossistemas no tecido humano.
Um dos resultados mais importantes para este caso é que comunidades estabelecidas de bactérias podem servir como barreira contra patógenos. Se forem desenvolvidas colônias de espécies menos agressivas, elas podem competir diretamente com espécies mais nocivas, protegendo involuntariamente o organismo.
Essa é uma relação ecológica complexa, que pode ser desestabilizada por mudanças bruscas no ambiente. O ato de tomar um último banho pode ter dizimado as colônias de bactérias benignas que viviam na pele de Haji, abrindo uma brecha para o ataque de outras espécies.
Tomando o caso iraniano como exemplo, existe uma revisão publicada na Nature Reviews Microbiology que pode ajudar a iluminar essa discussão. O estudo teve como objetivo analisar o que se sabia sobre os microbiomas da pele e identificou relações complexas entre microrganismos, formando novos ecossistemas no tecido humano.
Um dos resultados mais importantes para este caso é que comunidades estabelecidas de bactérias podem servir como barreira contra patógenos. Se forem desenvolvidas colônias de espécies menos agressivas, elas podem competir diretamente com espécies mais nocivas, protegendo involuntariamente o organismo.
Essa é uma relação ecológica complexa, que pode ser desestabilizada por mudanças bruscas no ambiente. O ato de tomar um último banho pode ter dizimado as colônias de bactérias benignas que viviam na pele de Haji, abrindo uma brecha para o ataque de outras espécies.
Fonte: *Correio

