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Homem mais sujo do mundo viveu 70 anos sem tomar banho e morreu após tomar sua primeira ducha em décadas

HISTÓRIAS CURIOSAS

Homem mantinha um estilo de vida extremo por décadas Crédito: Reprodução / YouTube / Daily Mail

Talvez você já tenha ficado sem tomar banho por um dia ou dois, mas já pensou em ficar sujo durante 70 anos? Esse é o caso de Amou Haji, um eremita indiano que surpreendeu o mundo com mais de 90 anos de idade, sem um único banho desde os vinte anos.

Sua história repercutiu ainda mais após o relato de sua morte em 2022, alguns meses depois de tomar o primeiro banho em décadas. Porém, até aquele momento, o ermitão viveu por décadas em condições precárias. A internet então começou a especular: teria sido o banho o culpado pela morte repentina de Haji?

Vivendo no limite

Haji vivia na província de Fars, no sul do Irã, e passou boa parte da vida em um buraco no chão, em uma região seca e montanhosa. Porém, não apenas a moradia era insalubre. Todo o resto do seu estilo de vida era extremo: relatos falam em alimentação precária, água não potável e consumo constante de cigarros.

Obviamente, o que mais chamava atenção era a falta de banho, que lhe conferia uma aparência única. Segundo relatos colhidos pela BBC, a pele de Haji era coberta por uma crosta de sujeira, poeira e pus.

Um dos fatores que pode ter auxiliado na sobrevivência do idoso foi a ajuda humanitária da comunidade local. Seus vizinhos chegaram a construir uma pequena barraca próxima do buraco em que ele vivia, bem como entregavam alimentos e água ocasionalmente.

Último banho

Depois de décadas evitando água e sabão, Amou Haji acabou tomando banho alguns meses antes de morrer. A decisão teria ocorrido após pressão de moradores da região, que tentavam convencê-lo a aceitar cuidados básicos.

A causa da morte apontada pela imprensa iraniana foram causas naturais associadas ao envelhecimento, mas sem um laudo que discriminasse especificamente o motivo do óbito. Por essa razão, é perigoso apontar uma correlação entre o banho e a sua morte, mas não impossível.

Apesar de a maioria dos casos em que pessoas são expostas a condições extremas resultar em morte, existem exceções, como Haji. Em algumas circunstâncias, o corpo começa a se adaptar a esses extremos, alcançando uma forma de homeostase.

Tomando o caso iraniano como exemplo, existe uma revisão publicada na Nature Reviews Microbiology que pode ajudar a iluminar essa discussão. O estudo teve como objetivo analisar o que se sabia sobre os microbiomas da pele e identificou relações complexas entre microrganismos, formando novos ecossistemas no tecido humano.

Um dos resultados mais importantes para este caso é que comunidades estabelecidas de bactérias podem servir como barreira contra patógenos. Se forem desenvolvidas colônias de espécies menos agressivas, elas podem competir diretamente com espécies mais nocivas, protegendo involuntariamente o organismo.

Essa é uma relação ecológica complexa, que pode ser desestabilizada por mudanças bruscas no ambiente. O ato de tomar um último banho pode ter dizimado as colônias de bactérias benignas que viviam na pele de Haji, abrindo uma brecha para o ataque de outras espécies.

Tomando o caso iraniano como exemplo, existe uma revisão publicada na Nature Reviews Microbiology que pode ajudar a iluminar essa discussão. O estudo teve como objetivo analisar o que se sabia sobre os microbiomas da pele e identificou relações complexas entre microrganismos, formando novos ecossistemas no tecido humano.

Um dos resultados mais importantes para este caso é que comunidades estabelecidas de bactérias podem servir como barreira contra patógenos. Se forem desenvolvidas colônias de espécies menos agressivas, elas podem competir diretamente com espécies mais nocivas, protegendo involuntariamente o organismo.

Essa é uma relação ecológica complexa, que pode ser desestabilizada por mudanças bruscas no ambiente. O ato de tomar um último banho pode ter dizimado as colônias de bactérias benignas que viviam na pele de Haji, abrindo uma brecha para o ataque de outras espécies.

Fonte: *Correio

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