Prefeito se disfarça de pessoa em situação de rua: “Senti na pele o que é ser invisível”

O prefeito Vaguinho Espíndola (PSD), de Criciúma, em Santa Catarina, se disfarçou de pessoa em situação de rua para avaliar a realidade de quem vive nessa condição na cidade. Durante a experiência, o político não foi reconhecido nem pela própria família.
“Senti na pele o que é ser invisível”, disse ao Estadão. Segundo o prefeito, ele recebeu quase R$ 6 em esmolas em um semáforo, além de café e comida oferecidos por moradores. A esposa e os filhos passaram por ele, mas não o reconheceram.
Vaguinho foi às ruas e segundo o prefeito, a ideia era passar 24 horas vivendo na rua, mas a experiência durou 20 horas porque ele foi abordado e reconhecido pela equipe de assistência social do próprio município. Ele foi acompanhado por um fotógrafo da prefeitura durante a ação.
“Foi uma experiência única. Eu quis sentir na pele o que essa população sente, até para orientar nossas políticas públicas para ela, mas houve situações impactantes”, contou.
Em entrevista ao Estadão, o prefeito relatou que um garoto de cerca de 10 anos saiu de uma lanchonete e levou uma xícara de café para ele.
“Não conheço o piá (menino), nem ele me reconheceu. Era um dia muito frio, a região aqui é fria, mas o gesto me emocionou”, disse.
Projeto
O prefeito de Criciúma vai enviar à Câmara Municipal um projeto que prevê a autorização para a internação involuntária de pessoas em situação de rua com dependência química. “Estamos credenciando 50 vagas em clínica para essas internações.”
De acordo com o prefeito, muitas das pessoas que encontrou nas ruas eram de outros estados. “Vamos ter um observatório municipal para esse público, pois os números são imprecisos. As pessoas que estão aqui hoje, amanhã estão em Florianópolis, depois vão para São Paulo.”
“O monitoramento deste mês mostrou que, de cada 10 pessoas que internamos com a ajuda dos assistentes sociais, seis refizeram os vínculos familiares, três estão nas casas de passagem trabalhando e uma voltou para a rua. Não se trata apenas de tirar as pessoas das ruas, mas de oferecer tratamento, trabalho e esperança”, afirmou.
Fonte: Irecê Agora

